RAFEIRO DO ALENTEJO

917216398

O RAFEIRO DO ALENTEJO - UMA VELHA PAIXÃO

Alguns anos passaram desde que esta tão antiga e legítima ambição soube encontrar forma e preceito próprios, para tornarem possível a apresentação do nosso segundo livro da raça. Sendo provável ao longo desses anos ter ficado qualquer coisa por contar, considerámos que poderia ser interessante destacar ou simplesmente recordar, apectos marcantes de uma raça que constitui afinal, um pedaço vivo desta nossa terra Transtagana. Ainda que se possa pensar que o Rafeiro do Alentejo, fora do seu Solar, continue a ser um cão quase desconhecido, isso não nos impediu de o colocar novamente e com todo o mérito, como actor principal dos próximos "episódios". Esta velha "crença", prende-se sem dúvida com uma profunda mas consciente satisfação em nos deixarmos arrastar por "feitiços" tão estranhos quanto cativantes, que nos levam a nunca podermos desistir de lhes dar espaço e continuidade, aceitando como diria Pessoa, "que um homem sem sonhos não passa de um cadáver adiado". Embora ciente que o talento para a dissertação não tivesse evoluído tanto quanto seria desejável, e não obstante possa ser considerado um curto espaço de tempo, (1998-2012), atribuimos suficiente importância não só a dados recentes que tornam mais genuína a imagem deste cão, como a oportunidade de dar a conhecer uma relação mais próxima do Autor com a sua Raça. Alegra-nos bastante poder hoje realçar o entusiasmo e a dedicação que temos vindo a constatar da parte dos criadores, que conscientemente tornaram realidade o relançamento da raça, mediante maior preocupação na reprodução e na selecção, tendo em vista a obtenção de exemplares típicos e homogéneos. Neste espaço de tempo, procedeu-se ainda a uma revisão do Estalão Oficial, que embora salvaguardando os traços essenciais, pretendeu introduzir pequenas alteraçães adaptando uma linguagem simples e compreensível, e só lamentamos que um ou outro pormenor técnico não tenha merecido melhor atenção. Foi igalmente nossa intenção, poder apresentar um trabalho que entretanto efectuámos, no qual procurámos avaliar a evolução biométrica verificada, bem como quaisquer modificações estruturais eventualmente ocorridas, desde que em 1953 foi elaborado o primeiro Estalão da Raça. Também a circusntância de recentemente ter sido aprovado pelo Clube Português de Canicultura o estalão de "uma nova raça Nacional", a qual nos parece querer ocupar espaços muito próximos do Rafeiro do Alentejo, não deixou de merecer uma análise atenta, já que esse facto, constitui necessariamente motivo de preocupação. Sendo inquestionável que o Rafeiro do Alentejo foi e sempre será uma raça canina Portuguesa, universalmente reconhecida e respeitada, com características únicas e genuínas expressas por traços muito próprios, nunca admitiremos ser possível confundi-la com quaisquer outras. É nessa perspectiva, que surge a nossa obrigação de não só esclarecermos como rejeitarmos determinadas decisões ou conjecturas, que embora aparentemente bem-intencionadas, nos parecem agora ter sido concebidas com outros propósitos. Intenções que mais tarde acabariam por mostrar os seu verdadeiros contornos, embora tenhamos de admitir que na sua fase inicial nos possam ter despertado alguma ilusão. Com a publicação do nosso segundo Livro, pretendemos assim não só complementar como incentivar o reconhecimento deste cão como parte real e autêntica de um património, que há muito vamos atribuindo alto valor genético e cultural. Esta iniciativa representa deste modo, o nosso último contributo para a afirmação e divulgação de uma Raça, à qual com perserverança e orgulho, ainda que por vezes com alguma apreensão, vamos dedicando a devida atenção e muita estima. Uma última nota para justificar a opção de nos mantermos fiéis à Lingua Portuguesa que aprendemos nos bancos da escola, quando criávamos os nosso primeiros rafeiros. Embora estando sempre disposto a aceitar qualquer evolução considerada apropriada ou vantajosa, queremos manisfestar de forma respeitosa a nossa rejeição por acordos que para além de não passarem de cedências, não enaltecem ou sequer aperfeiçoam a nossa língua, ferindo até a nossa própria identidade.

O Rafeiro do Alentejo - Monografia da Raça

PRIMEIRO LIVRO SOBRE A RAÇA

Autor da primeira publicação editada sobre a raça, com o título O Rafeiro do Alentejo - Monografia da Raça, publicada em 1999..